Objetivo do novo guia da Direção-Geral da Saúde é reforçar a confiança e envolver mais o pai em todo o processo. Com muitas recomendações na alimentação e hábitos familiares

A Direção-Geral da Saúde defende que todas as grávidas ou casais tenham acesso a um curso de preparação para o nascimento ou para a parentalidade. Os cursos devem abordar todas as transformações físicas e de desenvolvimento do feto, bem como promover a participação do pai ou da pessoa significativa para a grávida durante este processo.

Os cursos “constituem uma modalidade de intervenção a que todas as grávidas/casais devem ter acesso no decorre da gravidez”, mas nem sempre estão disponíveis, levando a que muitos tenham de recorrer à oferta de instituições privadas.

O objetivo é reforçar a confiança e aumentar as competências tendo em conta as necessidades também do pai. “O programa, além de integrar várias etapas, pretende integrar o parceiro. Era algo que já vinha a fazer-se mas, no SNS, ainda havia muitos espaços em que o que de facto havia era a consulta da grávida. Esperamos mudar um pouco isso”, diz Lisa Vicente, chefe da Divisão de Saúde Sexual Reprodutiva, Infantil e Juvenil da DGS. Este guia, que o DN já ontem revelou, tem em conta que a parentalidade pode surgir em momentos diferentes para o casal, sendo mais fácil “nascer mais rapidamente na mulher, que tem sintomas físicos e sente o bebé. Para os parceiros pode ser noutra fase. Não tem de ser igual para todas as pessoas”.

Não comer por dois

Durante a gravidez a consulta aborda inúmeros aspetos, como a alimentação, altura em que se deve aproveitar para “ir mudando alguns dizeres típicos, como o de que a grávida deve comer por dois. Deve mudar-se a alimentação e até aproveitar para fazer mudanças positivas para o bebé e para o agregado familiar”, acrescenta a médica obstetra. Evitar produtos ricos em açúcar, produtos processados ou salgados e beber mais de 1,5 litros de água são alguns conselhos. Os cuidados especiais com a toxoplasmose, salmonelose ou listeriose obrigam a cuidados de higiene e lavagem de alimentos, bem como ao consumo de alimentos cozinhados e não em cru, de preferência.

Durante esta etapa, recomenda-se que não haja consumo de álcool ou tabaco – mesmo em baixas doses podem ser negativos – e o manual sugere mesmo que as mudanças sejam feitas em todos os elementos da família, como uma oportunidade de obter ganhos em saúde para todos. Quanto ao exercício físico, o manual salienta que deve ser mantido, desde que não seja um desporto de contacto físico e sobretudo se a grávida já praticava antes da gravidez.

Ontem, na apresentação do guia, Francisco George, diretor-geral da Saúde, alertou para as “situações dramáticas” em que alguns recém-nascidos chegam ao hospital após o nascimento em casa e sem assistência. E deixou um aviso: “Não contem com a simpatia do diretor-geral da Saúde para a promoção de partos, não só em casa, como também assistidos autonomamente por enfermeiros. Não vamos voltar para trás.”

Fonte
http://www.dn.pt/sociedade/interior/todas-as-gravidas-devem-ter-curso-para-preparar-o-nascimento-4926716.html